O Cerrado é conhecido como a caixa d’água do Brasil, mas também pode ser visto como uma verdadeira farmácia viva. Há séculos, comunidades tradicionais e povos indígenas utilizam suas plantas medicinais para tratar desde resfriados até problemas digestivos e inflamações. Hoje, muitos desses saberes começam a ser reconhecidos pela ciência, mostrando o valor do bioma não apenas para o equilíbrio ecológico, mas também para a saúde humana.
Saberes tradicionais como herança viva
Nas comunidades rurais e quilombolas, o conhecimento sobre plantas é transmitido de geração em geração. Chá de aroeira para dores e inflamações, infusão de cajuzinho-do-cerrado como cicatrizante e o uso da mangaba para auxiliar no controle da pressão arterial são alguns exemplos de práticas populares ainda muito presentes.
Plantas medicinais de destaque no Cerrado
- Barbatimão (Stryphnodendron adstringens) – usado como cicatrizante natural e em tratamentos ginecológicos.
- Arnica-do-campo (Lychnophora ericoides) – famosa pelo alívio de dores musculares.
- Pequi (Caryocar brasiliense) – além de alimento típico, seu óleo é aplicado na medicina popular para problemas respiratórios.
- Cipó-de-são-joão (Pyrostegia venusta) – utilizado para combater gripes e resfriados.
A ciência confirma
Pesquisadores da área de farmacologia têm comprovado a eficácia de várias dessas plantas. O barbatimão, por exemplo, já é estudado para uso em pomadas e medicamentos cicatrizantes. No entanto, o avanço do desmatamento ameaça a continuidade desses recursos e a própria transmissão dos conhecimentos tradicionais.
Risco de perda com o desmatamento
Com a destruição do Cerrado para pastagens e monoculturas, muitas plantas medicinais podem desaparecer antes mesmo de serem estudadas pela ciência. Esse risco não é apenas ecológico, mas também cultural, pois ameaça o saber de comunidades que dependem dessas espécies.
Caminhos para preservar
- Incentivar o cultivo sustentável de plantas medicinais em quintais e hortas comunitárias.
- Apoiar projetos de fitoterapia integrados à atenção básica em saúde.
- Valorizar os saberes tradicionais e registrá-los em iniciativas de etnobotânica.
Conexão entre saúde e natureza
A “farmácia natural” do Cerrado nos lembra que preservar o bioma vai além de proteger paisagens: é garantir acesso a uma biodiversidade que pode ser fonte de cura, bem-estar e identidade cultural.

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