O Cerrado é um bioma marcado pelo fogo. Ao contrário do que se imagina, as queimadas naturais fazem parte do ciclo ecológico, renovando a vegetação e criando condições para a vida de muitas espécies. No entanto, o aumento da frequência e da intensidade dos incêndios, aliado às mudanças climáticas, levanta dúvidas: como a fauna responde a esse novo cenário?
Um estudo conjunto da UnB e da Universidade de Oxford trouxe pistas importantes ao analisar o comportamento de três espécies de lagartos típicos do Cerrado diante de diferentes regimes de fogo. Os resultados revelam que esses animais podem funcionar como “termômetros ecológicos”, indicando os limites da resiliência do bioma.
Fogo: inimigo ou aliado?
O estudo mostrou que queimadas ocasionais, em intervalos controlados, não apenas são toleradas pelos lagartos, mas podem até favorecer a recuperação de suas populações. Isso acontece porque o fogo renova o ambiente, abrindo espaço para insetos — sua principal fonte de alimento.
Por outro lado, quando os incêndios se tornam muito frequentes ou intensos, os lagartos sofrem com a perda de abrigo, diminuição de presas e aumento da exposição a predadores.
Lagartos como indicadores ambientais
Os pesquisadores observaram que:
- Resistência: algumas espécies conseguem sobreviver a curtos períodos de estresse térmico.
- Recuperação: após queimadas de baixa intensidade, populações voltam a crescer relativamente rápido.
- Limite crítico: incêndios intensos e seguidos reduzem drasticamente as chances de recuperação.
Essas respostas tornam os lagartos excelentes indicadores da saúde do Cerrado, ajudando a medir o impacto do fogo e das mudanças climáticas nos ecossistemas.
Conexão com as trilhas e o manejo consciente
Para os praticantes de trilhas e ecoturismo, o estudo traz um alerta: o fogo deve ser entendido não apenas como ameaça, mas também como ferramenta de manejo. Ao mesmo tempo, exige cuidado redobrado na época da seca, quando o risco de incêndios descontrolados é maior.
Guias e condutores locais têm papel essencial na conscientização de visitantes, mostrando que trilhar pelo Cerrado é também um exercício de educação ambiental.
Caminhos para a conservação
- Manejo do fogo controlado: adotado em unidades de conservação para equilibrar os ciclos naturais.
- Monitoramento científico contínuo: estudos de longo prazo ajudam a compreender melhor as respostas da fauna.
- Educação ambiental: integrar visitantes e comunidades na compreensão do papel do fogo no Cerrado.
Os lagartos do Cerrado mostram que a vida encontra caminhos para resistir — mas também revelam os limites da resiliência. Ao observar esses pequenos répteis, a ciência aponta que o futuro do bioma depende de um manejo inteligente do fogo e de estratégias de conservação que respeitem seus ciclos naturais.
Equipe Trilhas do Planalto

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