Polinizadores em risco: impactos do uso de fertilizantes no Cerrado

O Cerrado é o lar de uma diversidade extraordinária de polinizadores — abelhas nativas sem ferrão, borboletas, beija-flores e até morcegos cumprem papéis vitais na reprodução das plantas. No entanto, um estudo recente alerta que o uso excessivo de fertilizantes químicos pode estar ameaçando diretamente essa relação delicada.

🌿 O que a ciência descobriu

Pesquisas internacionais mostram que áreas expostas a fertilizantes apresentam redução significativa na diversidade de flores. Menos flores significam menos alimento e abrigo para os polinizadores, comprometendo ciclos inteiros da natureza.

No Cerrado, onde muitas plantas são altamente especializadas e dependem de polinizadores específicos, a perda dessa interação pode ser devastadora, afetando desde árvores frutíferas até espécies raras.

🐝 Quem são os mais afetados

  • Abelhas nativas sem ferrão (Meliponíneos): essenciais para a polinização do pequi e de frutas nativas.
  • Borboletas endêmicas: dependem de flores específicas, cada vez mais escassas.
  • Beija-flores: precisam de variedade floral para sustentar migrações e reprodução.

Com a diminuição desses grupos, todo o ecossistema entra em desequilíbrio — inclusive a agricultura, que depende deles.

💧 Relação direta com a agricultura

A produtividade agrícola pode cair quando os polinizadores desaparecem. No Cerrado, culturas como o maracujá, o café e até a soja dependem, em diferentes graus, da polinização natural.
Paradoxalmente, os fertilizantes que prometem aumentar a produção podem estar minando a base da própria agricultura.

🌎 Caminhos possíveis

Para equilibrar produção e conservação, algumas estratégias já estão sendo discutidas e aplicadas:

  • Agroecologia e sistemas agroflorestais, que mantêm diversidade de plantas.
  • Redução do uso de fertilizantes químicos, substituídos por adubação verde.
  • Proteção de corredores ecológicos, permitindo que polinizadores circulem entre áreas.
  • Programas de meliponicultura, que fortalecem o manejo sustentável de abelhas nativas.

Os polinizadores do Cerrado são pequenos guardiões da vida, e sua proteção depende de escolhas conscientes na agricultura. Garantir equilíbrio entre produção e conservação é o único caminho para manter o bioma vivo e produtivo para as próximas gerações.



Equipe Trilhas do Planalto

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