Sons do Cerrado: como a bioacústica está revelando segredos da fauna invisível

O Cerrado é um bioma cheio de vida, mas nem sempre ela está visível aos olhos. Muitas espécies são discretas, raras ou de hábitos noturnos, tornando difícil sua observação direta em campo. É nesse cenário que surge uma ferramenta inovadora: a bioacústica, ciência que utiliza sons da natureza para identificar e monitorar animais.

O que é bioacústica e por que ela importa?

A bioacústica consiste no uso de gravadores automáticos instalados em áreas naturais para registrar sons continuamente — desde o canto de aves até o coaxar de anfíbios e o ruído de insetos. Com softwares especializados, pesquisadores analisam as frequências sonoras e conseguem identificar espécies apenas pela assinatura acústica.

No Cerrado, onde muitas espécies ainda nem foram oficialmente catalogadas, essa tecnologia tem sido um atalho científico para revelar presenças antes invisíveis.

Quem canta, vive: aves e anfíbios como indicadores ambientais

Espécies como o joão-curutu, a choquinha-de-garganta-pintada e anfíbios endêmicos de veredas são mais facilmente detectados por som do que por avistamento. Em regiões de mata fechada ou áreas de transição entre cerrado e veredas, o áudio se tornou mais eficiente que o olhar humano.

Além de detectar espécies, os pesquisadores conseguem avaliar o nível de conservação de uma área pela diversidade sonora: quanto mais sons diferentes, maior o equilíbrio ecológico.

Tecnologia na trilha: ciência acessível para observadores

Hoje, até trilheiros e observadores amadores podem participar. Aplicativos como Merlin Bird ID, eBird e Xeno-Canto permitem gravar sons e comparar com bibliotecas internacionais. Isso transforma a experiência nas trilhas em uma exploração investigativa, ampliando o olhar (e o ouvido!) para além do visual.

Dica para trilheiros:

  • Leve um gravador de áudio ou use o celular com microfone direcional.
  • Observe os horários de maior atividade sonora: amanhecer e entardecer.
  • Registre e compartilhe em plataformas de ciência cidadã — seus dados podem ajudar pesquisadores reais!

Sons que protegem

Ao registrar sons, também se cria prova científica de presença de espécies em áreas ameaçadas. Isso fortalece processos de proteção ambiental e reforça que escutar é também um ato de conservação.


Equipe Trilhas do Planalto

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