O Cerrado é conhecido como o berço das águas do Brasil — e com razão. De suas veredas e chapadas nascem os principais rios do país, como o São Francisco, o Tocantins e o Paraná. Essas áreas úmidas, cercadas por buritis e gramíneas, funcionam como reservatórios naturais: armazenam e filtram a água da chuva, alimentando lençóis freáticos e garantindo o equilíbrio hídrico de todo o território.
Mas esse sistema vital está em risco. As veredas do Cerrado vêm desaparecendo em ritmo acelerado, vítimas do desmatamento, das queimadas e da drenagem para a expansão agropecuária. O que antes era fonte de vida, agora se transforma em áreas secas e degradadas.
🌾 O papel das veredas
As veredas são ecossistemas únicos. Nelas, o solo encharcado abriga uma vegetação adaptada à umidade, com destaque para o buriti (Mauritia flexuosa), árvore-símbolo do Cerrado. Suas raízes profundas ajudam a regular o fluxo das águas e servem de abrigo para dezenas de espécies — entre elas o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e aves aquáticas.
Mais do que simples paisagens, as veredas são indicadores naturais da saúde do bioma. Quando secam, revelam que o equilíbrio entre solo, chuva e vegetação foi quebrado.
🔥 Ameaças que vêm de cima e de baixo
Além disso, as queimadas — muitas vezes criminosas — alteram a estrutura do solo e destroem a flora que protege as margens. Sem a cobertura vegetal, as chuvas fortes arrastam nutrientes e sedimentos, assoreando os cursos d’água.

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