Conhecido como a “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado desempenha um papel vital no abastecimento hídrico do país. De suas chapadas, veredas e nascentes nascem rios que alimentam algumas das maiores bacias hidrográficas da América do Sul. Preservar o Cerrado, portanto, é garantir água para milhões de pessoas, para a produção de alimentos e para o equilíbrio dos ecossistemas muito além de suas fronteiras.
É no solo profundo e poroso do Cerrado que a chuva encontra o caminho para os grandes aquíferos. A vegetação nativa, com raízes longas e resistentes, permite que a água infiltre lentamente, alimentando lençóis freáticos e mantendo as nascentes ativas mesmo durante longos períodos de seca. Dali surgem cursos d’água que abastecem bacias fundamentais, como as dos rios São Francisco, Tocantins-Araguaia, Paraná-Paraguai e Parnaíba, conectando o Cerrado a diferentes regiões do país.
As veredas, ambientes úmidos dominados pelo buriti, são peças centrais nesse sistema. Elas funcionam como verdadeiros filtros naturais, regulando o fluxo da água, protegendo nascentes e evitando o assoreamento dos rios. Ao redor dessas áreas, forma-se uma biodiversidade rica, que depende diretamente da presença constante da água para sobreviver. Quando uma vereda é destruída, todo o sistema hídrico ao seu redor entra em colapso.
No entanto, o avanço do desmatamento, a compactação do solo por máquinas pesadas e o uso inadequado da terra comprometem esse funcionamento natural. Sem a cobertura vegetal, a água da chuva escoa rapidamente, causando erosões, enchentes e reduzindo a recarga dos aquíferos. Aos poucos, rios perdem volume, nascentes secam e comunidades inteiras sentem os impactos da escassez.
Cuidar do Cerrado é, portanto, cuidar da água. Proteger suas nascentes, recuperar áreas degradadas e manter a vegetação nativa são ações que garantem a continuidade desse sistema vital. O Cerrado não é apenas uma paisagem — é uma infraestrutura natural que sustenta a vida, a economia e o futuro do Brasil.
Equipe Trilhas do Planalto

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