Água do Cerrado: O Berço dos Grandes Rios do Brasil

Conhecido como a “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado exerce um papel estratégico para o abastecimento hídrico do país. É nesse bioma que nascem rios que alimentam algumas das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, sustentando cidades, a produção agrícola, a geração de energia e ecossistemas muito além de seus limites geográficos. Proteger o Cerrado é, portanto, proteger a água que move o Brasil.

A força hídrica do Cerrado está diretamente ligada ao seu solo profundo e poroso e à vegetação adaptada, com raízes longas que permitem a infiltração gradual da água da chuva. Esse processo recarrega aquíferos e mantém as nascentes ativas mesmo durante longos períodos de estiagem. É assim que o bioma alimenta rios fundamentais como o Rio São Francisco, o Tocantins-Araguaia, o Paraná-Paraguai e o Parnaíba, conectando o Cerrado a diferentes regiões do país.

Nesse sistema, as veredas ocupam um papel central. Dominadas pelo buriti, elas funcionam como áreas naturais de armazenamento e filtragem da água, protegendo nascentes e regulando o fluxo hídrico ao longo do ano. Além de garantirem a perenidade dos cursos d’água, as veredas sustentam uma biodiversidade rica, servindo de refúgio para aves, anfíbios, insetos e mamíferos, especialmente durante a estação seca.

O problema é que esse equilíbrio vem sendo ameaçado. O desmatamento da vegetação nativa, a compactação do solo por máquinas pesadas e a ocupação irregular de áreas sensíveis comprometem a infiltração da água. Sem cobertura vegetal, a chuva escorre rapidamente pela superfície, provocando erosões, assoreamento de rios e redução da recarga dos aquíferos. O resultado aparece em rios mais rasos, nascentes secando e crises hídricas cada vez mais frequentes.

Cuidar da água do Cerrado é uma responsabilidade coletiva. Preservar áreas nativas, proteger veredas e nascentes e recuperar regiões degradadas são medidas essenciais para garantir a segurança hídrica do país. O Cerrado não é apenas um bioma — é uma infraestrutura natural vital. Sem ele, os grandes rios perdem força, e o futuro da água no Brasil se torna cada vez mais incerto.


Equipe Trilhas do Planalto

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