O Cerrado é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também figura entre os mais ameaçados. A expansão agropecuária, o desmatamento, as queimadas fora de controle e a fragmentação do habitat vêm reduzindo rapidamente áreas naturais essenciais para a sobrevivência de inúmeras espécies. O resultado é um cenário preocupante, em que animais e plantas emblemáticos do Cerrado lutam para resistir à perda de território e de recursos básicos.
Entre os animais mais afetados estão espécies que dependem de grandes áreas preservadas para sobreviver. O lobo-guará, importante dispersor de sementes, sofre com atropelamentos e a redução de seu habitat. O tamanduá-bandeira e o tatu-canastra enfrentam dificuldades semelhantes, além de incêndios frequentes que destroem áreas de alimentação e abrigo. Na avifauna, espécies raras e sensíveis, como o pato-mergulhão, dependem de rios limpos e bem preservados — ambientes cada vez mais escassos.
A flora do Cerrado também sente os impactos. Árvores frutíferas nativas, como o pequizeiro, o baru e o jatobá, estão desaparecendo de muitas regiões, comprometendo não apenas a vegetação, mas toda a cadeia alimentar associada a elas. Além disso, inúmeras plantas medicinais e espécies endêmicas — que só existem no Cerrado — podem ser perdidas antes mesmo de serem estudadas pela ciência.
Apesar da gravidade da situação, ainda há caminhos possíveis. A criação e manutenção de unidades de conservação, a proteção de veredas e nascentes, o respeito às áreas de preservação permanente e a recuperação de áreas degradadas são medidas fundamentais. Corredores ecológicos também desempenham papel essencial ao permitir o deslocamento da fauna entre fragmentos de vegetação.
No dia a dia, a sociedade também pode contribuir. Apoiar iniciativas de conservação, evitar produtos associados ao desmatamento ilegal, valorizar o consumo consciente e divulgar informações de qualidade sobre o Cerrado são atitudes que fazem diferença. Proteger o Cerrado não é apenas uma questão ambiental: é preservar a água, a biodiversidade e o equilíbrio ecológico que sustentam a vida no coração do Brasil. O bioma ainda resiste — e o futuro dele depende das escolhas feitas agora.
Equipe Trilhas do Planalto
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