Grande parte da vida no Cerrado acontece longe dos nossos olhos. Abaixo da superfície do solo e entre folhas em decomposição, microrganismos — como bactérias, fungos e actinomicetos — formam uma rede invisível que sustenta todo o bioma. São eles que garantem a fertilidade do solo, a ciclagem de nutrientes e a resistência das plantas à seca e ao fogo.
No solo profundo do Cerrado, fungos micorrízicos se associam às raízes das plantas em uma relação de troca: os fungos ampliam a capacidade de absorção de água e nutrientes, enquanto recebem açúcares produzidos pela fotossíntese. Essa parceria é vital em solos pobres, permitindo que árvores e arbustos sobrevivam a longos períodos de estiagem e se recuperem rapidamente após eventos extremos.
As bactérias do solo desempenham outro papel essencial: a transformação de matéria orgânica em nutrientes disponíveis para as plantas. Elas decompõem folhas, galhos e raízes mortas, liberando nitrogênio, fósforo e outros elementos que alimentam a vegetação. Sem esse trabalho contínuo, o Cerrado perderia sua capacidade de renovação e produtividade natural.
Microrganismos também ajudam a regular o carbono no ambiente. Parte do carbono capturado pelas plantas é transferida ao solo, onde pode permanecer armazenada por longos períodos graças à ação microbiana. Esse processo contribui para a estabilidade climática e reforça a importância do Cerrado no enfrentamento das mudanças do clima.
Quando o solo é degradado — por desmatamento, compactação ou uso inadequado da terra — essa vida invisível é uma das primeiras a desaparecer. O impacto vem em cascata: plantas enfraquecem, a infiltração de água diminui, nascentes sofrem e a fauna perde alimento e abrigo. Proteger o Cerrado, portanto, é também proteger seus microrganismos.
O Cerrado invisível é a base silenciosa de tudo o que vemos. Reconhecer o valor dessa vida microscópica é entender que a conservação do bioma começa no detalhe — no solo vivo que sustenta árvores, rios, animais e pessoas.
Equipe Trilhas do Planalto

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