Quando se fala em fogo no Cerrado, a primeira imagem que vem à mente costuma ser a de queimadas descontroladas, associadas à destruição ambiental. Mas, em um dos biomas mais antigos do planeta, o fogo também tem outro papel: é parte do equilíbrio natural.
Pesquisas recentes da FAPESP apontam que 30 anos sem fogo controlado reduziram em 86% a biodiversidade de formigas e em 67% a riqueza de plantas endêmicas. Esses dados reforçam que, em vez de ser visto apenas como vilão, o fogo pode ser um aliado da conservação, desde que usado de forma planejada.
🌱 O Cerrado e sua relação histórica com o fogo
O problema surge quando o fogo é aplicado de maneira predatória, sem planejamento, levando à degradação do solo e perda irreversível da vegetação nativa.
🔬 Fogo como ferramenta de conservação
O chamado manejo integrado do fogo é uma técnica aplicada em reservas ecológicas e parques nacionais do Cerrado. Nele, pequenos incêndios controlados são feitos em épocas específicas do ano, geralmente no início da seca.
Benefícios do manejo controlado:
- Estimula a germinação de espécies nativas.
- Reduz a quantidade de material seco, diminuindo riscos de incêndios devastadores.
- Mantém a diversidade de habitats, evitando o avanço de áreas densas de cerradão.
- Favorece a biodiversidade, beneficiando desde insetos até aves e grandes mamíferos.
⚠️ Os riscos da ausência total de fogo
🌍 Caminhos para o futuro
O desafio é encontrar o equilíbrio entre conservação e segurança. Algumas estratégias já adotadas incluem:
- Treinamento de brigadistas locais para conduzir queimas controladas.
- Integração de saberes científicos e tradicionais.
- Planos de manejo em Unidades de Conservação que incluem o fogo como ferramenta.
Ao entender o fogo não apenas como ameaça, mas como fenômeno ecológico essencial, abrimos espaço para políticas públicas mais eficientes e para a preservação da rica biodiversidade do Cerrado.
Equipe Trilhas do Planalto
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