Se o padrão atual de uso da terra persistir, o Cerrado poderá perder até 33,9% da vazão de seus rios até 2050, alerta um estudo liderado por Yuri Salmona, do Instituto Cerrados, publicado na revista Sustainability e apoiado pelo ISPN.
O que sustenta essa projeção?
- Análise abrangente de 81 bacias hidrográficas (1985–2022) mostrou que 88% apresentaram redução de vazão, principalmente por conta da conversão de vegetação nativa em monoculturas e pastagens (56%) e, em menor medida, por mudanças climáticas (44%).
- O desmatamento e substituição por lavoura reduzem a infiltração da chuva e aumentam a evapotranspiração, impactando a recarga dos aquíferos, especialmente nas áreas com solo naturalmente arenoso.
- Entre 1985 e 2022, a vazão dos rios do Cerrado já caiu em 15,4%. Se nada mudar, podemos chegar à redução de um terço do volume de água nos próximos 30 anos.
Consequências para o bioma e as pessoas
- Abastecimento humano afetado: mais de 70% da energia hidrelétrica e o fornecimento urbano podem ser comprometidos. O Cerrado dá origem a oito das 12 principais bacias hidrográficas do país.
- Agricultura e pecuária sofrem com falta de água na época de plantio e pastejo.
- Biodiversidade em risco: espécies dependentes de ambientes úmidos — como aves aquáticas e anfíbios — perdem habitat e refúgio.
- Conflitos por água: como já observado em locais como o oeste baiano, nascentes recuaram e comunidades locais enfrentam escassez crescente.
Caminhos possíveis para reverter o cenário
- Preservação e restauração de nascentes e veredas para manter a recarga hídrica natural.
- Revisão do uso do solo: priorizar a recuperação de pastagens degradadas e reduzir a conversão de vegetação original.
- Proteção de áreas próximas aos rios e córregos, garantindo cobertura vegetal e evitando erosões e assoreamentos.
- Aplicação efetiva da Lei das Águas (N.º 9.433/97) com cobrança pelo uso e poluição, incentivando práticas mais responsáveis.
- Políticas públicas integradas: conciliar produção rural com conservação, por meio de agroecologia, pagamento por serviços ambientais e áreas protegidas estratégicas.
Equipe Trilhas do Planalto

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