O Cerrado em risco: como a expansão da soja impulsiona o desmatamento – e o que pode mudar

A recente análise da Reuters mostra que o Cerrado agora domina as taxas de desmatamento no Brasil, superando até mesmo a Amazônia. Esse dado alarmante revela a urgência em transformar a cadeia produtiva da soja para proteger a vegetação nativa de forma mais efetiva. 

Panorama atual do desmatamento no Cerrado

Dados coletados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que os alertas de desmatamento no Cerrado no primeiro trimestre de 2023 chegaram a 1.375,3 km², o maior valor desde o início do monitoramento. Para referência, a Amazônia registrou 844,6 km² no mesmo período — quase metade da devastação que ocorreu no bioma de savana.

O papel da soja e interesses envolvidos

Nos últimos anos, a expansão da soja em áreas como o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) foi identificada como um dos maiores vetores de conversão da vegetação nativa: 76% dessa expansão ocorreu sobre áreas intactas do Cerrado.
Além disso, apenas 2% dos municípios produtores de soja concentram mais da metade do desmatamento relacionado à exportação da commodity. 

Projetos em curso para frear o avanço

Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD)

Lançado em dezembro de 2023, o PNCPD tem o objetivo ambicioso de restaurar até 40 milhões de hectares de pastagens degradadas nos próximos 10 anos – literalmente dobrando a área produtiva sem derrubar vegetação nativa, com apoio do BNDES e financiamento externo.

Inovação agrícola sustentável

  • O Programa Soja Sustentável do Cerrado apoia startups que oferecem soluções para práticas agrícolas regenerativas, rastreabilidade e compensação de carbono na cadeia da soja.

  • Iniciativas como ADAPTA, BUSCA TERRA, Connect Farm e Green Bug trazem tecnologias para monitoramento do solo, rotas econômicas de conservação e sistemas de alerta ambiental.

Sistemas integrados e recuperação de pastagens

O Programa REVERTE®, desenvolvido em parceria com TNC e Embrapa, oferece práticas como sistemas integrados de lavoura-pecuária-logo-floresta (ILPF) e guias técnicos para recuperação de solos degradados. 
Isso surge como alternativa real para expandir a produção sem prejudicar novos espaços do bioma.

Políticas públicas estruturadas

Programas como o Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC+), o plantio direto, rotação de culturas, adubação verde e fixação biológica de nitrogênio são instrumentos públicos que orientam práticas sustentáveis e financiamento rural. 

Caminhos conciliáveis entre produção e conservação

  • Priorizar o uso de áreas já degradadas para expansão agrícola;
  • Incentivar a adoção de sistemas agroflorestais (ILPF e SAF);
  • Fomentar rastreabilidade e certificações como Cargill, Imaflora, Rainforest Alliance;
  • Fortalecer cadeias sustentáveis com inovação (startups, tecnologia e crédito verde);
  • Apoiar políticas que integrem sustentabilidade, biodiversidade e segurança alimentar.


Equipe Trilha do Cerrado

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