Plantas medicinais do Cerrado: tradição, ciência e conservação

O Cerrado é um verdadeiro farmácia natural a céu aberto. Diversas comunidades locais utilizam há séculos suas plantas para fins medicinais, transmitindo saberes que hoje despertam o interesse da ciência moderna.

Com mais de 12 mil espécies catalogadas, estima-se que pelo menos um terço delas apresente propriedades farmacológicas, tornando o bioma um dos mais ricos do planeta em potencial terapêutico.

🌱 Conhecimento tradicional e exemplos populares

Entre os remédios naturais mais conhecidos do Cerrado estão:

  • Barbatimão (Stryphnodendron adstringens) – usado como cicatrizante e no tratamento de infecções.
  • Arnica-do-campo (Lychnophora ericoides) – aplicada em contusões e inflamações musculares.
  • Cagaita (Eugenia dysenterica) – fruto consumido para ajudar na digestão.
  • Pequi (Caryocar brasiliense) – rico em antioxidantes, fortalece a imunidade.
  • Sucupira (Pterodon emarginatus) – cujas sementes têm efeito anti-inflamatório.

Essas práticas refletem a sabedoria de povos indígenas, quilombolas e comunidades rurais, que moldaram um acervo cultural único em torno da biodiversidade.

🔬 O olhar da ciência

Pesquisadores da UnB e de instituições parceiras investigam compostos bioativos de plantas do Cerrado, buscando desenvolver medicamentos para doenças crônicas, inflamatórias e até câncer.

O grande desafio é conciliar o avanço científico com a valorização do saber popular, reconhecendo o papel das comunidades que mantêm esse conhecimento vivo.

⚠️ Ameaças à biodiversidade medicinal

O desmatamento e a expansão agrícola colocam em risco espécies medicinais ainda pouco estudadas. Cada planta perdida pode significar a perda de moléculas inéditas que poderiam resultar em novos fármacos.

Além disso, a coleta predatória de algumas espécies para venda em feiras e mercados locais ameaça populações naturais, que precisam de manejo sustentável.

🌍 Conservação e uso responsável

Para que o Cerrado continue sendo fonte de cura e bem-estar, são necessárias ações como:

  • Programas de conservação in situ e ex situ, protegendo áreas nativas e bancos de germoplasma.
  • Educação ambiental junto às comunidades sobre o uso sustentável.
  • Parcerias entre universidades e moradores locais, unindo ciência e tradição.
  • Políticas públicas de fitoterápicos, valorizando a biodiversidade brasileira no SUS.

O Cerrado guarda um tesouro medicinal ainda pouco revelado, mas sua preservação é fundamental para que esse patrimônio não se perca.


Equipe Trilhas do Planalto

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