Fogo como ferramenta: UNESCO treina comunidades para aumentar a resiliência no Cerrado

O Cerrado, segundo maior bioma do Brasil, é também uma das regiões mais suscetíveis ao fogo. Por muito tempo, o fogo foi visto apenas como ameaça, ligado ao desmatamento e às queimadas descontroladas. No entanto, pesquisas recentes e iniciativas internacionais mostram que, quando utilizado de forma planejada, ele pode ser um aliado na conservação ambiental.

O papel do fogo no Cerrado

O Cerrado é um bioma adaptado ao fogo. Muitas espécies vegetais têm cascas grossas, sementes resistentes e até florescem após o contato com as chamas. Isso significa que, em ciclos naturais, o fogo ajuda a renovar a vegetação e controlar espécies invasoras. O problema surge quando as queimadas são intensas, frequentes e sem planejamento — cenário cada vez mais comum devido à ação humana.

A iniciativa da UNESCO

Recentemente, a UNESCO lançou um programa de capacitação que treina comunidades locais e brigadistas para o uso do chamado “fogo prescrito”. A técnica consiste em aplicar queimadas controladas em períodos específicos e com intensidade moderada, reduzindo o acúmulo de biomassa seca que, em épocas de seca severa, pode causar incêndios devastadores.

Como o treinamento funciona

  • Educação comunitária: moradores aprendem sobre os ciclos naturais do Cerrado e como usar o fogo de forma segura.
  • Práticas sustentáveis: integração do fogo controlado com atividades produtivas, como pastagens e sistemas agroflorestais.
  • Resiliência ambiental: comunidades treinadas conseguem reduzir riscos, proteger espécies nativas e preservar nascentes.

Benefícios para o Cerrado

  • Diminuição do risco de incêndios de grandes proporções.
  • Proteção da biodiversidade, incluindo espécies endêmicas que dependem do fogo em ciclos equilibrados.
  • Fortalecimento das comunidades locais, que passam a ser protagonistas na gestão do território.

Desafios e perspectivas

Apesar dos resultados promissores, o uso do fogo como ferramenta ainda enfrenta resistência e falta de políticas públicas claras. Especialistas destacam que é preciso ampliar o diálogo entre comunidades, governos e organizações ambientais para que essa estratégia seja replicada em larga escala.


Equipe Trilhas do Planalto

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