Cenário positivo? Queda recente no desmatamento do Cerrado e desafios por vir

O Cerrado, considerado o berço das águas do Brasil e um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, apresentou um dado inédito e animador: após cinco anos consecutivos de aumento no desmatamento, as taxas registraram uma queda no período 2023-2024. O levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta que essa redução, embora ainda tímida, abre uma janela de esperança para o futuro do bioma.

Onde o desmatamento caiu

De acordo com os dados oficiais, os estados que compõem a região do MATOPIBA — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia —, tradicionalmente pressionados pela expansão da fronteira agrícola, foram os que registraram o maior recuo. A combinação de monitoramento por satélite, fiscalização ambiental e pressão de consumidores e investidores internacionais por cadeias de produção mais limpas ajudou a conter o ritmo de destruição em algumas áreas críticas.

O que explica essa redução

Especialistas apontam que a queda é resultado de múltiplos fatores: a intensificação de ações de comando e controle, maior visibilidade internacional sobre a destruição do Cerrado e avanços em práticas agropecuárias sustentáveis. Programas de recuperação de pastagens degradadas e a busca por certificações ambientais também têm incentivado produtores a adotar métodos mais equilibrados entre produção e conservação.

Riscos de retrocesso

Apesar do alívio, o cenário ainda inspira cautela. O Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, perdendo vegetação nativa em ritmo acelerado. A demanda global por soja, milho e carne segue pressionando o uso do solo, e políticas públicas frágeis ou cortes em orçamentos de fiscalização podem facilmente reverter o quadro positivo.

O que precisa continuar

Consolidar essa tendência exige esforços contínuos. Entre os caminhos apontados estão: fortalecimento de unidades de conservação, incentivo a cadeias produtivas sustentáveis, ampliação de áreas de restauração e maior envolvimento das comunidades locais no manejo do território. O Cerrado já perdeu cerca de metade de sua vegetação nativa, e frear o desmatamento é essencial para garantir a sobrevivência de rios, espécies e comunidades que dele dependem.

Uma janela de esperança

A queda no desmatamento não resolve os problemas históricos do Cerrado, mas mostra que é possível reverter tendências negativas quando ciência, fiscalização, políticas públicas e pressão da sociedade caminham juntas. Esse cenário reforça a importância de manter o Cerrado em evidência, lembrando que o bioma é tão vital quanto a Amazônia para o equilíbrio ambiental do Brasil.


Equipe Trilhas do Planalto

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