Bolsa-economia verde: como a produção sustentável pode gerar US$72 bilhões anuais para o Brasil com proteção do Cerrado

O Cerrado, um dos biomas mais biodiversos do planeta, vem se consolidando no centro de debates globais sobre sustentabilidade. Segundo relatório recente do Fórum Econômico Mundial, adotar modelos de produção sustentável e proteger ecossistemas estratégicos no bioma poderia render ao Brasil cerca de US$72 bilhões por ano. O dado mostra que a conservação não é apenas uma demanda ambiental, mas também uma enorme oportunidade econômica.

O que propõe a “bolsa-economia verde”

A ideia parte da integração entre conservação e inovação econômica: em vez de avançar sobre áreas de vegetação nativa, o Cerrado pode ser motor de negócios baseados em restauração de áreas degradadas, agricultura regenerativa, manejo sustentável de produtos florestais não madeireiros, ecoturismo e serviços ambientais. Esse conjunto de soluções já está sendo chamado de “bolsa-economia verde”, pois diversifica os ganhos para produtores, investidores e comunidades locais, sem comprometer a natureza.

Quem já está atuando no Cerrado

Projetos de agroflorestas no Maranhão e sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Mato Grosso têm mostrado bons resultados, conciliando alta produtividade com preservação. Além disso, programas como o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas e iniciativas privadas de bancos e fundos de investimento verde buscam direcionar recursos para negócios sustentáveis. No turismo, áreas de trilhas e reservas particulares vêm explorando atividades de observação de aves, caminhadas interpretativas e experiências gastronômicas baseadas em frutos nativos, como o pequi e o baru.

O papel das políticas públicas

Apesar do potencial, especialistas alertam que é necessário fortalecer mecanismos de governança e políticas públicas que incentivem produtores a aderirem a práticas sustentáveis. Créditos de carbono, pagamentos por serviços ambientais e linhas de crédito específicas para produção verde são apontados como ferramentas-chave. Sem esse suporte institucional, a transformação da economia do Cerrado corre o risco de ficar restrita a projetos pontuais, sem escala.

Tradição, trilhas e conservação local

A economia verde não se resume a grandes números globais. No Cerrado, comunidades tradicionais, guias de trilha e pequenos produtores têm papel central: são eles que cuidam do território, preservam nascentes e atraem turistas interessados em vivenciar a natureza de forma autêntica. Ao valorizar esses atores e integrar suas atividades à cadeia sustentável, o Brasil fortalece não apenas sua imagem internacional, mas também o desenvolvimento de base comunitária.

Um futuro de oportunidade

Se a destruição do Cerrado custa caro em termos de perda de água, biodiversidade e clima, protegê-lo pode representar uma das maiores oportunidades econômicas da atualidade. A projeção de US$72 bilhões anuais mostra que sustentabilidade e prosperidade podem caminhar juntas. O desafio é transformar esse potencial em realidade, construindo uma “bolsa-economia verde” capaz de equilibrar conservação, produção e qualidade de vida.


Equipe Trilhas do Planalto

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