Um estudo recente traz um alerta grave: se o ritmo atual de uso do solo e desmatamento persistir, o Cerrado poderá perder até 33,9% da vazão de seus rios até 2050. O impacto seria devastador não só para o bioma, mas também para milhões de pessoas e atividades econômicas que dependem diretamente da água. Conhecido como “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado abriga as nascentes que alimentam oito das 12 maiores bacias hidrográficas do país — incluindo as dos rios São Francisco, Tocantins, Paraná e Araguaia.
O que está em jogo
A redução da vazão dos rios compromete a segurança hídrica de cidades inteiras, a irrigação agrícola e a manutenção de ecossistemas aquáticos. Com menos água correndo, a biodiversidade que depende das veredas, lagoas e cursos d’água do Cerrado fica ameaçada, incluindo peixes endêmicos e espécies migratórias. O risco é que, em pouco tempo, regiões inteiras sofram com falta de abastecimento e aumento dos conflitos pelo uso da água.
Abastecimento urbano e agricultura sob pressão
Os centros urbanos do Planalto Central já convivem com crises hídricas cíclicas. A diminuição da vazão dos rios pode agravar a escassez, encarecer tarifas e dificultar o acesso da população à água de qualidade. Na agricultura, especialmente em áreas de irrigação intensiva, a queda na disponibilidade hídrica pode reduzir a produção e colocar em xeque a segurança alimentar.
Biodiversidade em risco
O Cerrado é habitat de espécies que dependem diretamente da água: desde anfíbios raros até aves migratórias que utilizam as veredas como pontos de parada. A perda de vazão altera o equilíbrio dos ecossistemas e abre espaço para processos de degradação, como o assoreamento e a perda de áreas úmidas — fundamentais para a regulação climática local.
O que pode ser feito
Especialistas apontam caminhos urgentes:
- Proteção de nascentes e áreas de recarga hídrica.
- Aumento da cobertura vegetal nativa, que ajuda a infiltrar água no solo.
- Gestão integrada das bacias hidrográficas, envolvendo poder público, produtores e sociedade civil.
- Incentivo a práticas agropecuárias mais eficientes no uso da água.
Um chamado à ação
A previsão de até 34% de perda da vazão dos rios não é apenas um dado científico: é um alerta que exige ação imediata. Proteger o Cerrado significa proteger a água que abastece o Brasil. Sem a preservação das nascentes e a restauração de áreas degradadas, o futuro hídrico do país pode estar seriamente comprometido.
Equipe Trilhas do Planalto

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