Fogo aliado: como brigadistas e pesquisadores estão criando trilhas de manejo para proteger nascentes

Durante a estação seca, o Cerrado ganha tons de amarelo e dourado — mas também enfrenta seu período mais delicado: o fogo. Embora as queimadas criminosas sejam uma das principais ameaças ao bioma, o fogo controlado e planejado tem se mostrado um aliado estratégico na conservação ambiental.

Hoje, brigadistas, pesquisadores e comunidades locais unem forças para transformar o que antes era destruição em ferramenta de manejo e regeneração — e as trilhas têm um papel essencial nesse processo.

Trilhas que salvam nascentes

Em áreas de conservação do Planalto Central, como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e o Parque Nacional das Emas, trilhas de manejo são abertas e mantidas por brigadistas ambientais.
Esses caminhos funcionam como aceiros naturais — faixas sem vegetação acumulada, que impedem a propagação do fogo e protegem nascentes, veredas e campos rupestres.

Além de servirem para o combate direto, essas trilhas são utilizadas em queimas prescritas, técnicas controladas que reduzem o material combustível antes do auge da seca, evitando incêndios de grandes proporções.

A ciência do fogo no Cerrado

Pesquisadores da UnB e do Instituto Chico Mendes (ICMBio) vêm estudando o comportamento do fogo no Cerrado há mais de uma década. O que se descobriu é que o fogo faz parte do ciclo natural do bioma — algumas plantas, como o ipê-do-cerrado e o capim-flecha, até dependem dele para germinar.

O manejo controlado respeita esse equilíbrio, promovendo a renovação de espécies e o estímulo à biodiversidade, ao contrário das queimadas descontroladas, que matam fauna, empobrecem o solo e ameaçam ecossistemas inteiros.

O papel dos trilheiros na prevenção

As trilhas usadas para manejo também são percorridas por aventureiros e observadores da natureza. Por isso, a conscientização dos visitantes é essencial:

  • Não acenda fogueiras nem jogue bitucas de cigarro.
  • Evite o uso de fogareiros em locais secos.
  • Informe às autoridades locais qualquer foco de incêndio visível.
  • Caminhe sempre por trilhas sinalizadas, respeitando as áreas de recuperação.

Brigadistas relatam que muitos incêndios poderiam ser evitados com pequenos gestos de cuidado de quem frequenta o Cerrado.

Fogo que renova, não que destrói

A convivência entre fogo e Cerrado é milenar. O que muda é o modo como lidamos com ele. As trilhas de manejo são exemplo de que a ciência e a prática local podem caminhar lado a lado, unindo conhecimento técnico e saber popular para garantir que o bioma continue vivo, fértil e diverso.

Quando o fogo é tratado com respeito e planejamento, ele deixa de ser inimigo e se torna parte do equilíbrio natural — um ciclo de vida que o Cerrado conhece muito bem.


Equipe Trilhas do Planalto

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