Quando o sol se põe no Cerrado, muitos acreditam que o bioma adormece. Mas basta alguns minutos de silêncio para perceber que é exatamente o contrário. À noite, o Cerrado desperta em uma orquestra de sons formada por insetos, aves noturnas, anfíbios e pequenos mamíferos que transformam o Planalto Central em um espetáculo acústico único.
A noite como palco principal
Durante o dia, o calor intenso reduz a atividade de muitas espécies. É por isso que, ao anoitecer, o Cerrado se torna vibrante. Os sons noturnos têm funções importantes na vida dos animais:
- Comunicação entre indivíduos
- Defesa de território
- Busca por parceiros para reprodução
- Orientação no ambiente
Cada canto, chiado ou estalo tem uma intenção clara — e o conjunto forma uma assinatura sonora típica de cada região.
Quem são os protagonistas da sinfonia?
🦗 Insetos: os maestros invisíveis
Grilos, esperanças e cigarras noturnas formam a base da paisagem sonora. Cada espécie tem um “canto” próprio, resultado da vibração das asas ou do atrito de partes do corpo. Esses sons ajudam:
- na atração de parceiros,
- na defesa de território,
- e até na identificação de indivíduos da mesma espécie.
🐸 Anfíbios: indicadores de saúde ambiental
Perto de veredas, córregos e brejos, é possível ouvir coros de sapos e rãs. Eles vocalizam principalmente na estação das chuvas e são considerados termômetros do ecossistema — quando eles cantam, significa que a água está presente e os habitats estão funcionando.
Espécies comuns no Cerrado incluem:
- Rã-piadeira
- Perereca-do-brejo
- Sapo-cururu
🦉 Aves noturnas: caçadoras silenciosas
Corujas e bacuraus também marcam presença. Seus sons são menos constantes, mas quando aparecem, mudam o clima da noite.
- Coruja-buraqueira: assovios curtos e secos
- Coruja-orelhuda: vocalização grave
- Bacurau-tesoura: canto ritmado e hipnotizante
🐺 Mamíferos discretos
O lobo-guará, por exemplo, emite “latidos” graves para se comunicar a longas distâncias. Pequenos roedores também produzem sons sutis, quase imperceptíveis para nós.
Por que esses sons importam?
A paisagem sonora é um indicador poderoso da saúde do Cerrado. Regiões onde o som noturno é forte e variado costumam ter:
- fauna rica,
- presença de água,
- vegetação equilibrada.
Locais silenciosos demais podem indicar desequilíbrios ambientais, desmatamento ou perda de espécies.
Como observar a vida sonora nas trilhas
Para quem explora o Cerrado no final da tarde ou à noite (sempre com guia e autorização), algumas recomendações:
- Leve lanterna, mas use o mínimo possível.
- Pare por 5 minutos em silêncio total: o som “aumenta” naturalmente.
- Caminhe devagar — muitos animais se assustam com passos rápidos.
- Use aplicativos de identificação sonora, como Merlin ou eBird.
- Mantenha distância de veredas e áreas alagadas: segurança em primeiro lugar.
Onde ouvir o Cerrado cantar no Planalto Central
- Parque Nacional de Brasília
- APA do Cafuringa
- Jardim Botânico de Brasília (trilhas guiadas)
- Parque Ecológico do Tororó
- Estação Ecológica de Águas Emendadas
Cada local tem sua própria “sinfonia”.
Equipe Trilhas do Planalto

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