O Cerrado é reconhecido como a savana mais biodiversa do planeta — um mosaico de campos, veredas e matas que abriga espécies únicas e essenciais para o equilíbrio ecológico. Entre elas, alguns animais se destacam como verdadeiros “guardiões”: são espécies que, além de sua beleza e comportamento fascinante, desempenham funções vitais na manutenção do bioma. Conhecê-los é entender por que o Cerrado é tão importante para o Brasil e para o mundo.
O lobo-guará é talvez o mais emblemático desses guardiões. Com suas longas pernas e pelagem avermelhada, ele percorre grandes áreas e atua como dispersor de sementes — especialmente da fruta lobeira, seu “prato preferido”. Essa relação simbiótica ajuda a regenerar o Cerrado e manter o ciclo de vida das plantas. Já o tamanduá-bandeira, com sua língua comprida e faro apurado, controla populações de formigas e cupins, evitando desequilíbrios que poderiam afetar árvores, cultivos e até estruturas humanas.
Outra espécie marcante é o tatu-canastra, o maior tatu do mundo. Ele escava buracos profundos que, depois de abandonados, viram abrigos para diversas outras formas de vida — répteis, anfíbios, pequenos mamíferos e até aves. Cada toca se transforma em um pequeno ecossistema, mostrando como uma única espécie pode gerar impacto positivo em toda a cadeia. E não se pode esquecer das aves do Cerrado, como a seriema e o pato-mergulhão, espécies-chave que indicam a saúde das áreas onde vivem. Suas presenças revelam ambientes preservados e águas limpas.
Proteger esses guardiões é assegurar o futuro do Cerrado. A expansão agrícola, os incêndios e a perda de habitat já colocam muitas dessas espécies em risco. Estudar, divulgar e preservar suas histórias é um compromisso urgente. Afinal, cada lobo, tamanduá, tatu ou ave desempenha um papel único — e sem eles, o Cerrado perderia muito mais do que vida: perderia sua identidade.
Equipe Trilhas do Planalto

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