O Cerrado é frequentemente lembrado por sua biodiversidade e por ser o berço de importantes rios, mas seu papel vai ainda mais longe: ele também atua como regulador climático natural. A vegetação nativa influencia a formação de nuvens, a umidade do ar e a distribuição das chuvas, impactando diretamente o clima de diferentes regiões do Brasil. Proteger o Cerrado é, portanto, uma estratégia essencial para manter o equilíbrio térmico e hídrico do país.
Um dos principais mecanismos envolvidos é a evapotranspiração. As plantas absorvem água do solo e a liberam para a atmosfera na forma de vapor, contribuindo para a formação de nuvens e para o resfriamento do ambiente. Esse processo ajuda a manter temperaturas mais equilibradas, reduz extremos de calor e sustenta ciclos de chuva que alimentam rios e aquíferos.
Além disso, o Cerrado exerce papel importante no armazenamento de carbono. Parte desse carbono está nas árvores e na vegetação superficial, mas uma quantidade significativa encontra-se no solo profundo, graças às raízes extensas das plantas nativas. Quando áreas são desmatadas ou queimadas de forma intensa e frequente, esse carbono é liberado na atmosfera, contribuindo para o aumento das temperaturas e intensificando mudanças climáticas.
O impacto da perda da vegetação vai além da região do bioma. A redução da cobertura nativa compromete a formação de umidade que influencia o regime de chuvas em outras áreas do país. Menos vegetação significa menos evapotranspiração, menos nuvens e maior risco de secas prolongadas — um efeito que afeta agricultura, abastecimento de água e estabilidade ambiental.
O Cerrado não é apenas paisagem: é uma infraestrutura climática natural. Sua preservação contribui para temperaturas mais equilibradas, chuvas regulares e maior segurança hídrica. Em um cenário de mudanças climáticas globais, proteger o Cerrado é investir na estabilidade do clima brasileiro. O bioma já desempenha esse papel silenciosamente há milhares de anos — cabe a nós garantir que continue cumprindo essa função essencial no futuro.
Equipe Trilhas do Planalto

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